
Manifestações ao mesmo tempo tradicionais e contemporâneas, objeto de estudos universitários ou tombadas como patrimônio público, tomam conta da Praça da 102 na cidade da periferia do DF
O friozinho vem chegando e, com ele, as bandeirinhas coloridas, as fogueiras e, claro, o Festival de Inverno de São Sebastião, que neste ano chega a sua segunda edição. Repleto de música, literatura, dança, circo e cultura popular, o evento do Movimento Cultural Supernova vai ocupar a Praça da Quadra 102 na noite de sábado, 3 de Julho, a partir das18h. O acesso ao evento é gratuito e livre pra todos os públicos. “A ideia de sair à noite para ir a um festival de inverno dá a sensação de um encontro grandioso, mas aconchegante, com cachecóis e fogueira, comes e bebes. O objetivo é celebrar as tradições locais, aquecer o turismo e movimentar a cena artística”, descreve Nanah Farias, produtora do evento.
O objetivo é criar uma tradição cultural e de revitalização urbana, devolvendo os espaços públicos às famílias. Em vez de grandes aglomerações e ingressos caros, um ambiente comunitário, seguro e acessível, impulsionando a economia do bairro. A ideia é oferecer uma programação noturna, boêmia, contemplando os adultos sem deixar de lado as crianças. O palco é baixo para criar proximidade, o som moderado e o rolê acaba cedo, respeitando o ritmo da vizinhança, mas promovendo a socialização da comunidade. “É importante dizer que realizar um festival gratuito em São Sebastião é também afirmar que a cultura é um direito. A gente acredita que a arte não precisa estar distante da comunidade nem restrita aos espaços tradicionais. Ela pode e deve estar na praça, perto dos trabalhadores, que muitas vezes não acessa grandes eventos culturais”, declara Isaac Mendes, produtor do evento e coordenador do coletivo.
Entre os destaques da programação, estão a banda de heavy metal indígena Arandu Arakuaa, que canta em tupi-guarani, e o cortejo da Orquestra Alada Trovão da Mata. “O som pesado do rock mesclado com o dos maracás e dos cantos tradicionais, mais as pinturas corporais, serão um espetáculo à parte na nossa programação, mantendo a energia da Orquestra Alada Trovão da Mata com seu cortejo e o fuzuê dos foliões encantados”, antecipa o idealizador do evento Paulo Dagomé.
A banda Arandu Arakuaa (saber dos ciclos dos céus ou sabedoria do cosmos, em tupi-guarani) foi fundada em abril de 2008 pelo indígena xerente Zândhio Huku. A banda conta com dois EPs e três álbuns, e já tocou nos mais importantes festivais de rock no Brasil. Também foi objeto de estudo em diversas pesquisas acadêmicas, inclusive em uma tese de doutorado em educação da UNICAMP, na qual é citada como exemplo de resistência em ecologia.
A Orquestra Alada Trovão da Mata é uma das manifestações do Fuá de Seu Estrelo, Patrimônio Cultural Imaterial do DF, uma enfeitada procissão que se utiliza de qualquer linguagem espetacular para levar ao público todo o universo fantástico dessa moderna tradição brasiliense. Com um ritmo singular, o Samba Pisado, encarna a velha tradição dos cortejos de rua, para trazer ao mundo as fabulosas figuras de nosso encantado cerrado.
Além dos headliners, a programação contará ainda com as apresentações de dança de Lady Dancer e do grupo de dança do ventre Filhas de Ísis, e como cultura popular pouca é bobagem, a participação do Bloco de Pife Pitoco de Bambu levará ao público a sonoridade dos pífanos e a energia dos ritmos tradicionais brasileiros.
E não seria um evento sansebastianense sem um espaço privilegiado para a palavra escrita e falada na quebrada. Os poetas Diogo Ramalho, Erica Letícia, devana babu,, Nanda Fer Pimenta, Natália Alencar, Marina Mara, Mariana Baeta, Rayza de Mina, Jirlene Pascoal e DUDI participarão da programação com recitais e exposição de seus livros, aproximando o público da produção literária local e promovendo encontros entre autores, leitores e comunidade.
Também haverá atividades voltadas ao público infantil, garantindo às crianças um espaço de convivência, brincadeira e participação cultural. A proposta é que famílias inteiras possam ocupar a praça e vivenciar uma noite de arte, lazer e encontro comunitário, fortalecendo os vínculos entre cultura, território e cidadania.
E não para por aí: para além do palco (muitas vezes ampliado para o chão da praça), o evento contará também com uma ampla feira de artesanato e empreendedorismo, reunindo mais de 40 empreendedoras locais. O público poderá conhecer e adquirir produtos artesanais, acessórios, roupas, itens criativos e outras produções realizadas por mulheres do território. A iniciativa fortalece a economia criativa de São Sebastião, estimula a geração de renda e amplia a visibilidade de mulheres que movimentam a produção artesanal e comunitária da cidade.
O festival terá ainda uma praça de alimentação, com opções gastronômicas para o público aproveitar a noite com conforto, convivência e diversidade de sabores. “A praça é democrática, a arte é de graça e faz a diferença na nossa vida. Venha que o povo daqui de São Sebas é acolhedor. Quem não comparecer vai perder um encontro porreta com gente boa, elegante e sincera”, convida Nanah.
Sobre a Associação Cultural Supernova
A Associação Cultural Supernova é uma Organização da Sociedade Civil dedicada à promoção, difusão e valorização da cultura em suas múltiplas manifestações. Ao longo de sua trajetória, desenvolve iniciativas nas áreas de música, literatura, teatro, cinema, artes visuais, cultura popular e ocupação cultural de espaços públicos, consolidando-se como uma importante referência cultural em São Sebastião-DF.
Serviço
II Festival de Inverno de São Sebastião. Sexta-feira, 3 de julho, das 18h às 23h, na Praça da Quadra 102 (São Sebastião – DF). Entrada franca. Livre para todos os públicos.
Com Arandu Arakuaa, Orquestra Alada Trovão da Mata, Lady Dancer, Filhas de Ísis, Bloco de Pife Pitoco de Bambu, poetas convidados e exposição de livros, feira de artesanato, praça de alimentação e atividades para o público infantil.