Segunda parte do filme, premiado na Mostra Brasília do 55º FBCB, celebra a resiliência feminina e avança nas filmagens

Quantas vezes você já precisou virar o jogo na própria vida? A pergunta, que ecoa na trajetória de toda mulher que já enfrentou desafios e recomeçou, é o ponto de partida do curta-metragem “Virada de Jogo II”. Em fase avançada de produção, o documentário convida o público a se inspirar em histórias reais de mulheres que transformaram dor, obstáculos e momentos de ruptura em força, movimento e inspiração coletiva.
A segunda edição do projeto amplia a proposta do primeiro filme, agraciado com o Candango de Melhor Roteiro na Mostra Brasília do 55º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB). Realizada pelo Instituto Casa da Vila, em parceria com a SECEC-DF e apoio do Instituto LumiArt, a produção está ainda mais sensível e ousada. Sob o olhar da roteirista Cleuza Brandão, “Virada de Jogo II” traz uma narrativa que entrelaça a realidade com a ficção, criando um diálogo poético com a essência de cada protagonista.
Uma jornada pelos quatro elementos
O roteiro da segunda parte foi estruturado a partir dos quatro elementos da natureza, utilizados como metáforas das fases vividas pelas personagens. A Terra simboliza a resistência e as raízes; a Água traz a fluidez da transformação; o Fogo aborda o poder da reconstrução; e o Ar, a liberdade da expansão.
As filmagens percorrem cenários diversos, do Plano Piloto a Sobradinho, Brazlândia e São Sebastião, capturando a essência de cada história em seu território. A direção é de Nubia Santana, cineasta e fundadora do Instituto Lumiart, membro da Academia Brasileira de Cinema e atual presidente da Associação de Produtores e Realizadores de Cinema e Audiovisual de Brasília (Aprocine). Em sua bagagem, a diretora traz a experiência de sets de relevância social e ficcional, tendo assinado o longa-metragem ‘Pra Ficar de Boa’ e o documentário ‘Pedra do Mal’, obra que investiga a realidade do tráfico de crack no DF.”
A direção é assinada pela cineasta Nubia Santana, fundadora do Instituto Lumiart, membro da Academia Brasileira de Cinema e presidente da Associação de Produtores e Realizadores de Cinema e Audiovisual de Brasília (Aprocine). Ela traz na bagagem a experiência de sets do longa-metragem “Pra Ficar de Boa” e do documentário “Pedra do Mal”, sobre a realidade do tráfico de crack, no Distrito Federal, produções que também assina a direção.
Para a cineasta, que também fez parte da primeira edição do filme e retorna nesta nova versão, o documentário é também uma missão pessoal. “A ‘virada’ é uma decisão. No momento em que você decide, algo muda dentro de você.” Nubia Santana destaca ainda o papel do cinema como instrumento de inspiração e cura. “Da mesma forma que filmes me ajudaram a seguir em frente, o ‘Virada de Jogo’ pode ajudar alguém a encontrar força para mudar a própria história.”
Estreia
Com uma equipe técnica de mais de 30 profissionais, “Virada de Jogo II” mantém o ineditismo visando o circuito de festivais, com foco especial no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O filme contará com acessibilidade completa (LIBRAS e audiodescrição) e sessões públicas, democratizando o acesso a essas histórias de poder.
Quem são as mulheres que “viraram o jogo”?
Cleuza Brandão, a voz por trás do roteiro, personifica a própria resiliência. Na primeira edição, ela compartilhou sua luta contra o câncer e a metástase. Após enfrentar uma recidiva e vencê-la mais uma vez, ela retorna não apenas como personagem condutora, mas como a arquiteta dessa nova narrativa, provando que a vida, assim como o cinema, sempre pode ter uma reviravolta.
Outra presença marcante é Leopoldina Colares, de 86 anos, exemplo de vitalidade e pioneirismo. Aposentada pela Caixa Econômica Federal, ela abriu caminhos em um espaço historicamente dominado por homens e acumula um histórico de cargos e chefias no Distrito Federal e Ceará.
O filme também amplia o olhar sobre diversidade ao trazer histórias de mulheres negras e ciganas. Entre elas está Sonia Reis, ativista reconhecida pela defesa dos direitos das mulheres. Em sua participação, o filme aborda um tema urgente: o casamento precoce de meninas de 12 e 13 anos, retratado também por meio de cenas ficcionais que ampliam o impacto da narrativa.
Um simples olhar no espelho mudou a vida de Carla Sabrina. Aos 15 anos, pronta para sua festa de debutante, a maquiagem no rosto “cinza” foi o estopim para uma decisão: transformar-se. Sua história, agora recriada em cenas de ficção, mostra como um momento de incômodo pode ser o ponto de partida para uma trajetória de estudo e empoderamento para transformar sua experiência em ferramenta para ajudar outras mulheres.
No universo da moda, Nágela Maria personifica a visão e a disciplina. Desde a infância, quando já juntava dinheiro para empreender, sua história é um exemplo de protagonismo e construção de um sonho com as próprias mãos.
E Carmen Stella, maquiadora com décadas de carreira, representa a mulher que “vira o jogo” a cada novo dia. No filme, ela vive uma dualidade criativa: é personagem e também assina a maquiagem, tecendo um diálogo entre sua própria história e a estética da obra.
SERVIÇO
Virada de Jogo II
Direção: Nubia Santana
Estreia: 2026
Mais informações: @filmeviradadejogo